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Sobre livros:: Comentários sobre
livros que li em 2004 |
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Um longo caminho
para casa ( Danielle Steel ) |
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"Um
longo caminho para casa" |
Se você acha que a sua vida é muito triste, que Deus não gosta de
você, que todos os santos estão de sacanagem com a tua cara e que não há ninguém mais
infeliz na face da Terra do que você... é porque você ainda não leu "Um longo
caminho para casa" de Danielle Steel. Desconfio que exagerei um pouco no drama que me
é peculiar, mas o livro é mesmo muito triste. Até as pessoas mais insensíveis como eu,
que costumam ignorar alguns acontecimentos tristes com a frase "E eu com isso?",
( muitas vezes por sarcasmo e outras por pura auto-defesa ) não resistem a abrir o
berreiro, no máximo dos máximos na página 17 do livro... Tudo começa na infância de
Gabi. A doce menina de olhos grandes e jeito de anjo é regularmente espancada pela mãe.
É bastante descritivo, o que faz com que a cena pareça cada vez mais real à sua frente,
página após página. Você chora de dó da menina. Chora de ódio da mãe da menina.
Chora de raiva do pai da menina, que nunca a espancou, mas também nunca impediu tamanha
violência. Gabi foi parar no hospital. Dia seguinte o pai foi embora. Tudo era motivo
para que a mãe lhe espancasse cruelmente. Gabi tinha o cuidado de não deixar as marcas
à vista, usando sempre roupas que escondessem as feridas . Sabia que se alguém visse
aquelas marcas seria uma grande chatice...A mãe se zangaria muito e descontaria nela
novamente. No percurso do livro a pergunta que vem à cabeça constantemente é:
"Quando é que tudo isso vai acabar?". Outra pergunta frequente é: "O que
será dessa menina quando crescida? Se tornará uma pessoa violenta? Vai querer se vingar
dos pais ? Vai ter ódio da família ? Ou vai se tornar uma pessoa cada vez com mais medo
de tudo ?" A mãe arrumou namorado. Disse-lhe que arrumasse as coisas para viajar.
Ela pensou que viajaria com a mãe. Mas não foi isso que aconteceu. A mãe foi viver com
o tal namorado... mas sozinha. Antes disso deixou Gabi num convento e no máximo se deu ao
trabalho de enviar um cheque todos os meses até que a garota completasse 18 anos... Nunca
foi visitá-la nem nunca perguntou por ela. A mãe tinha ciúme de Gabi. Mas Gabi sempre
se confrontava, imaginando que a mãe tinha motivos reais para não gostar dela. Achava
que era muito má e que merecia ser castigada. Sempre fora tratada como um vírus
contagioso e vivia achando que realmente era tudo o que a mãe lhe dizia que era... No
convento correu tudo bem. Gabi era uma boa menina e nunca se queixava de fazer nada. As
freiras gostavam dela e a Madre Superiora era como uma mãe para ela... Nessa fase do
livro a leitora aqui já parou para enxugar as lágrimas. Afinal, não acontece nada de
muito especial, até que... um dia muda o padre do confessionário. O padre filé e Gabi
acabam por se apaixonar. Ambos tinham histórias semelhantes. Ambos não tinham mais
família e foram acolhidos pela vida religiosa. Nenhum dos dois entrou por vocação, na
verdade eles não tinham era qualquer opção. Estou falando de um altura em que Gabi já
era uma moça. Durante muito tempo se recusava a ser freira, pois achava não ter
vocação. Só depois da faculdade que decidiu se entregar à vida religiosa. Entretanto,
era uma postulante. Já com o padre era diferente. Ele já era padre, já tinha feito os
votos. Foi ele que primeiro confessou sua paixão à Gabi, foi ele que lhe beijou, foi ele
que chamou para que ela fosse se encontrar com ele na casa de um amigo no dia em que,
enfim, Gabi se entregou ao padre... ( Ou melhor, ambos se entregaram... nenhum deles tinha
qualquer experiência sexual ). Estava certo que Gabi tinha que sair do convento e que o
padre tinha que deixar de ser padre... Ela estava segura, mas ele, que no princípio tomou
todas as iniciativas, parecia um pouco inseguro... Havia fragilidade e medo naquele homem.
Foi só quando Gabi descobriu que estava grávida ( quando é que um padre e uma quase
freira iam se lembrar de pílula e preservativo ? ) que eles tiveram que tomar uma
decisão. A madre superiora começou a parecer desconfiada. Um dia esperam por Gabi numa
sala os padres e a madre superiora. Descobriram o que tinha acontecido e culpavam-na por
ter seduzido o padre bonitão. ( Ah, antes que me esqueça, o nome dele é Connors ). Gabi
já tinha sofrido muita pressão no dia anterior, mas não queria falar nada enquanto não
combinasse com o seu amor... Imaginava que ele também sofrera bastante pressão...
Começaram a culpá-la e ela exigiu falar com o padre Connors. E descobriu que ... ele
tinha se suicidado !!! Gabi desmaia e é levada para um hospital. O rastro de sangue
deixado no chão já denunciava: Gabi perdera o filho... Gabi tem que deixar o convento. A
madre superiora lhe dá um dinheiro para que ela alugasse um lugar para viver. Teria que
procurar emprego e enfrentar o mundo de onde ela sempre fugiu. No lugar onde foi viver fez
amizade com os velhinhos de lá, principalmente pelo "Professor". Um senhor
encantador, que qualquer pessoa gostaria de ter por perto como seu mestre e mentor. Ele
estimulou Gabi pelo seu gosto por escrever e foi sempre um querido!!! Algum tempo depois
Gabi se envolve com um rapaz que vem a ser seu gigolô. Esse mesmo gigolô acaba matando o
Professor. ( Hora de abrir o berreiro de novo...) Gabi precisa de forças para acertar as
contas com o seu passado. Agora eu pergunto: será que essa história tem um final feliz ?
Não conto, não conto, não conto...
Como
tem sido seu caminho para casa? |
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