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Margarida
Rebelo Pinto |
Sou desbocada. A Mariah escrita da Mariah falada é bem diferente.
Conheço uma infinidade de palavrões. O que não quer dizer que eu aproveite as
situações para usá-los. Nem mesmo quer dizer que use de maneira proposital ou
intencional. Não sei escrever como falo apesar de saber falar como escrevo, pelo menos
quando me convém. Quando li o "Não há coincidências" fiquei meio assustada
no princípio. Não pela quantidade de palavrões - os populares e os novos que conheci
aqui nessa terra lusitana - mas por ver tantos palavrões em um livro. Ainda ouvi
comentários machistas do gênero : "Fica mesmo mal uma mulher falar tantos
palavrões." Mas por acaso o comentário não era sobre nem para a minha pessoa .
Meus palavrões saem de maneira tão natural e inocente, que por vezes nem parece
palavrão. Hábitos que se adquirem. Sempre tem um ou outro que foge, quando vi já
escapoliu... Referia-se à autora do livro, a Margarida Rebelo Pinto. Meu amigo que fez
esse comentário possivelmente se ligou tanto aos palavrões que esqueceu-se de observar a
mensagem do livro, que não deixa de ser realista. Mas "Não há coincidências"
eu já li tem algum tempo e já nem me lembro bem.
Estou aqui para falar do "Sei
lá", um dos mais prestigiados livros da Margarida Rebelo Pinto que acabei de ler. A
personagem principal do livro é Madalena, uma jornalista que escreve artigos banais para
revistas cor de rosa. Tinha acabado uma relação com um basco que deixou-a de rastros.
Pelo que me pareceu era daquelas relações que nos deixam péssimas enquanto dura, ou
pior ainda quando termina. Suas amigas constantemente lhe diziam que o tal basco
conseguira mudar-lhe, ou pelo menos, quase conseguiu. Motivada por uma das amigas a
"dar uma queca" * ( eu jurava que essa expressão fosse brasileira, mas como
muitos dos meus amigos brasileiros não conhecem essa expressão e li frequentemente a
mesma no livro, concluo que então é uma expressão portuguesa, creio que agora não
estou enganada ), acaba conhecendo Francisco. Durante um tempo Madalena parecia indecisa
se ficava ou não com o sujeito. Eu não ficaria. ( Eu sempre me coloco no lugar dos
personagens ). O sujeito em pouco tempo já estava muito grudento. Ela acabou ficando com
o tal Francisco. Recebeu um carta do basco. Como sempre, sem endereço. A minha
imaginação fértil já dizia que o sujeito era casado e pai de 8 filhos, mas dessa vez
eu estava enganada. Não, eu não vou contar o que acontece, por mais vontade que eu
tenha. Adianto que ainda vai aparecer um terceiro homem na estória. A lição do livro,
segundo a minha opinião, é: você nunca sabe com quem está dormindo. * "dar uma
queca" = transar Dica: Já que estamos falando de Margarida Rebelo Pinto,
achei indispensável deixar uma dica aqui da Escola de Escrita
no site da escritora. Na escola de escrita tem dicas para ajudar a escrever melhor.
Divide-se em contos, crônicas e argumentos. Pareceu-me muito útil. Sei que tenho muito a
aprender e de certo que esse link já está nos meus favoritos... |
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