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Sobre livros:: Comentários sobre livros que li em 2004
2 Sei lá ( Margarida Rebelo Pinto )

Margarida Rebelo Pinto

Sou desbocada. A Mariah escrita da Mariah falada é bem diferente. Conheço uma infinidade de palavrões. O que não quer dizer que eu aproveite as situações para usá-los. Nem mesmo quer dizer que use de maneira proposital ou intencional. Não sei escrever como falo apesar de saber falar como escrevo, pelo menos quando me convém. Quando li o "Não há coincidências" fiquei meio assustada no princípio. Não pela quantidade de palavrões - os populares e os novos que conheci aqui nessa terra lusitana - mas por ver tantos palavrões em um livro. Ainda ouvi comentários machistas do gênero : "Fica mesmo mal uma mulher falar tantos palavrões." Mas por acaso o comentário não era sobre nem para a minha pessoa . Meus palavrões saem de maneira tão natural e inocente, que por vezes nem parece palavrão. Hábitos que se adquirem. Sempre tem um ou outro que foge, quando vi já escapoliu... Referia-se à autora do livro, a Margarida Rebelo Pinto. Meu amigo que fez esse comentário possivelmente se ligou tanto aos palavrões que esqueceu-se de observar a mensagem do livro, que não deixa de ser realista. Mas "Não há coincidências" eu já li tem algum tempo e já nem me lembro bem.

Estou aqui para falar do "Sei lá", um dos mais prestigiados livros da Margarida Rebelo Pinto que acabei de ler. A personagem principal do livro é Madalena, uma jornalista que escreve artigos banais para revistas cor de rosa. Tinha acabado uma relação com um basco que deixou-a de rastros. Pelo que me pareceu era daquelas relações que nos deixam péssimas enquanto dura, ou pior ainda quando termina. Suas amigas constantemente lhe diziam que o tal basco conseguira mudar-lhe, ou pelo menos, quase conseguiu. Motivada por uma das amigas a "dar uma queca" * ( eu jurava que essa expressão fosse brasileira, mas como muitos dos meus amigos brasileiros não conhecem essa expressão e li frequentemente a mesma no livro, concluo que então é uma expressão portuguesa, creio que agora não estou enganada ), acaba conhecendo Francisco. Durante um tempo Madalena parecia indecisa se ficava ou não com o sujeito. Eu não ficaria. ( Eu sempre me coloco no lugar dos personagens ). O sujeito em pouco tempo já estava muito grudento. Ela acabou ficando com o tal Francisco. Recebeu um carta do basco. Como sempre, sem endereço. A minha imaginação fértil já dizia que o sujeito era casado e pai de 8 filhos, mas dessa vez eu estava enganada. Não, eu não vou contar o que acontece, por mais vontade que eu tenha. Adianto que ainda vai aparecer um terceiro homem na estória. A lição do livro, segundo a minha opinião, é: você nunca sabe com quem está dormindo. * "dar uma queca" = transar Dica: Já que estamos falando de Margarida Rebelo Pinto, achei indispensável deixar uma dica aqui da Escola de Escrita no site da escritora. Na escola de escrita tem dicas para ajudar a escrever melhor. Divide-se em contos, crônicas e argumentos. Pareceu-me muito útil. Sei que tenho muito a aprender e de certo que esse link já está nos meus favoritos...

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Última atualização: 25/06/04