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As
palavras que nunca te direi |
Depois de encerrar 2003 com "Um momento inesquecível", o
primeiro livro que li do Nicholas Sparks, decidi que em 2004 iria me dar mais momentos
como esse. A leitura pra mim é muito mais que um passatempo ou uma luxúria: é uma
necessidade. Na minha agenda pessoal sempre tem fragmentos de tudo um pouco que se passa
na minha vida. No fecho do ano, fiz uma retrospectiva, para saber o que tinha feito nos
meus últimos 365 dias. Fiquei super decepcionada quando notei que não tinha lido 10% do
que tinha lido no ano anterior. Revoltante. Pior do que isso é saber que tinha um montão
livros enfileirados à minha espera.Notar que não tinha ido no cinema nenhuma vez e que
também não tinha alugado nenhum dvd - me limitando apenas aos filmes razoavelmente bons
que ocasionalmente passaram na tv - não me deixaram chateada. Filme não é muito a minha
praia. Não tenho paciência pra ficar no cinema, e por isso prefiro assistir em casa, pra
poder parar o filme na hora que quero, poder fazer outras coisas e depois voltar a
assistir. Calhou de assistir uns filmes com o Kinho no ano passado, mas um deles eu até
parei na metade, pois o filme era muito chato. Quando eu pararia um livro na metade? Acho
que nunca, apesar de já ter sentido a vontade em alguns que já passaram pelas minhas
mãos. Acabei percebendo o motivo de ter lido tão poucos livros no ano passado: blogs. Eu
já não lia livros, eu lia blogs. Lia e comentava. Comentar por vezes faz com que se
gaste o dobro do tempo de ler. Quando se lê um livro a gente fala sobre ele, mas muito
raramente envia um comentário para o autor. Mesmo se fosse, não comenta por partes como
se fossem posts. Comentaríamos como um todo. O blog é diferente nisso nesse aspecto: o
blog tem vida. O blog é o momento presente. É o que você está vivendo, pensando ou
refletindo naquele momento. Não é o resumo da sua vida. Sou famosa por fazer posts
gigantescos, mas nunca vi ninguém escrever posts que teriam mais de 200 páginas por
exemplo. Já vi blogs inspirados em livros, que são aqueles blogs em que cada capítulo
é um post... Porém, se o início não é realmente muito cativante, não dispertará a
curiosidade do leitor para acompanhar. Mais uma vez estou bolando estratégias para
conseguir viver a minha vida normalmente ( normalmente com a mesma agitação de sempre )
sem deixar os blogs de lado. Todo mundo pergunta porque o link para comentário vai para o
sistema de outro post, mas é a única forma que encontrei de organizar a bagunça. Se eu
colocar sistema de comentários em cada post, depois ao retribuir eu não sei onde parei (
não adianta, se eu parar para anotar isso é pior, depois eu não sei onde anotei ). Por
isso, fica tudo num post só. Depois que retribuo todos os comentários do post que abro
outro post com sistema de comentários.
Mas não era pra estar falando de blogs, mas de livros... "As
palavras que nunca te direi" - de Nicholas Sparks - foi o primeiro livro que li esse
ano. Queria iniciar 2004 com a mesma emoção que terminei 2003. "Um momento
inesquecível" é muito melhor, porque é bastante cômico no início. Mas "As
palavras que nunca te direi" também é bastante interessante. Fala sobre uma mulher
divorciada e um viúvo. Um dia correndo pela praia encontra uma garrafa com uma
carta dentro. Por isso o nome original do livro "Message in the Bottle". Ela se
encanta com as palavras da carta que Garret - o tal viúvo - escrevia para a sua amada
Catherine. Apesar do tempo, ele nunca tinha se esquecido dela e não se conformava com a
sua morte. Tereza - a divorciada - vai conhecê-lo e acabam vivendo uma linda estória de
amor. Se não tivesse a defunta entre eles, possivelmente as coisas seriam mais fáceis,
mas Garret parecia não ter esquecido Catherine. Resumindo: um livro que fala de encontros
e desencontros. Será que só amamos uma vez na vida? Será que temos uma nova
oportunidade para amar? Quem já viveu um amor tão intenso é capaz de amar novamente da
mesma maneira uma outra pessoa? Um amor anula o outro ? - Foram as perguntas que surgiram
na minha cabeça durante a leitura. Além disso, o livro é bem real. A dor da separação
de duas almas apaixonadas através da morte é mesmo muito triste. Ser separado de alguém
por causa da morte é algo indefinível. Afinal, não podemos lutar contra a morte. Pelo
menos não fomos enganados. Desde que nascemos sabemos que um dia vamos morrer. Por isso,
precisamos nos preocupar com o que realmente é importante: a felicidade. Pois um dia
haverá a separação. Nesse dia de dor, que pelo menos as lembranças possam ser as
melhores. Lembram que tem um tempão que tenho dito que vou assistir um filme ? Pois é, o
filme que fui assistir foi "As palavras que nunca te direi". Queria fazer
algumas comparações do livro com o filme. Quando vi que era apenas "inspirado"
no livro, tive as minhas dúvidas de que o filme pudesse ser bom. Mas por acaso até
gostei. Apesar de ter muita coisa diferente e de também ficar devendo para a riqueza de
detalhes do livro, até que também conseguiu me arrancar algumas lágrimas. Claro, não
me fez chorar e soluçar quanto o livro conseguiu, mas conseguiu me emocionar na mesma.
Uma cena que faltou no filme foi uma que adorei no livro: ela vai embora, está chovendo,
ele sai correndo atrás do carro dela na chuva, mas ela não volta. Essa cena me emocionou
bastante, e entretanto, no filme pareceu tudo muito rápido. O Garret era interpretado por
ninguém mais ninguém menos que Kevin Costner, ou seja, no filme ele é bem melhor que no
livro. É, no livro não consegui imaginá-lo tão charmoso. Além do mais, no filme ele
é até mais sensual do que no livro. No livro ele parecia meio "grude" com a
Tereza. O livro também me trouxe outra infinidade de perguntas sem respostas. Não sei o
que é pior: passar a vida toda procurando por alguém sem jamais encontrar ou encontrar
esse alguém e perder. Essa é uma das questões que me assombram enquanto penso no livro.
"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã..." me surge
quase como hino. Mas por vezes todo amor ainda é fraco diante das circunstâncias, e
sempre ainda restam palavras por dizer... Estou me segurando para não contar o final do
livro pra vocês. Vocês iriam me matar!!! Mas vou contar uma coisa: é tão emocionante
quanto o "Um momento inesquecível". O fim é de arrancar muitas lágrimas. E,
definitivamente, o livro é bem melhor que o filme...
As palavras que eu te direi...